Archive for the 'Fantasia' Category

06
jan
10

phineas mackfield – parte sexta

Este é um post da série Phineas Mackfield. Antes de ler, certifique-se que já leu os posts anteriores!

Ele se sentia estranho. Com força, embora o quarto estivesse escuro, ele enxergava com muita clareza – algo que não devia acontecer –, ele olhou para uma figura sentada em uma poltrona à sua frente. Era Anne, ela estava diferente também, pálida, embora mais bonita, os olhos castanhos se destacavam. Ele tentou se levantar, e quando fez isso, uma dor atordoante percorreu por todo seu corpo. Em pouco mais de dois segundos, Anne estava ao seu lado, enfiando o pulso na sua boca. Beba Phineas, beba! Phineas obedeceu, qualquer coisa que ajudasse a dor a passar seria bem vinda. O líquido era viscoso e quente, fluía para sua boca suavemente e aquilo lhe deixava mais forte aos poucos, ele foi se sentindo confortável e a dor estava passando. A carne do pulso de Anne começou a se regenerar e então ele percebeu que o líquido que ele bebera, que agora escorria pelos seus lábios, era sangue.

Ele se afastou de Anne e se surpreendeu ao ver que estava em pé – reflexos rápidos, pensou ele –. O que você fez comigo, Anne? O tom assustado era visível. Anne sussurrou delicadamente: Agora você é forte e livre. Caçador e astuto. Rápido e perceptível. Você é um vampiro Phineas!

28
nov
09

phineas mackfield – parte quinta

Este é um post da série Phineas Mackfield. Antes de ler, certifique-se que já leu os posts anteriores!

Dizem que o tempo cura tudo. Que a memória humana é fraca. Eu não via daquela maneira, memórias são fortes, foram vividas. Eu já me sentia atraído por aquela mulher estranha que se chamava Anne. Eu tinha de ficar com ela!

Depois de ter devorado em poucos minutos dois sanduiches, ele já começava a se sentir satisfeito. Embora é claro, tivesse espaço para mais um. Ele bebericou sua taça de vinho, olhou para Anne, que ainda estava na metade de seu segundo lanche. Eles não haviam se falado desde que começaram a comer. Então, você mora sozinha? Ela pareceu se assustar com a repentina quebra no silêncio. A voz de Phineas, que era grossa, parecia muito mais alta que o normal naquele silêncio todo. É, moro. Mas eu gosto, é tão calmo, ao tenho preocupações. Vendo algumas verduras para os vizinhos e com isso consigo fazer algumas compras quando é necessário, mas não é ruim comer o que planto. Que vida a boa era aquela. Phineas sentiu inveja daquela mulher pobre. E isso é de se surpreender, afinal, que possa em sã consciência sentia inveja de um pobre? E você? O tom dela parecia muito interessado, ela o olhava com muita atenção. Não. Moro com meus avós. Meus pais morreram há alguns anos atrás, eu estava entrando na adolescência, mas me lembro muito bem. Moro com eles desde então, e odeio –ele disse isso com muita entonação– viver com eles. Ele ficou em silêncio, e pegou mais um sanduiche. Anne não insistiu na conversa, se levantou e começou a retirar e guarda as coisas que havia usado para preparar o pequeno jantar. Phineas sabia que estava na hora de partir, mas era quase impossível sair de perto de Anne. Ele sabia que ali era muito melhor que sua casa, ela era uma companheira agradável… Posso-dormir-aqui-essa-noite? A frase saiu muito rápida, mas ele tinha certeza que ela tinha entendido. Ela sorriu e assentiu: Claro que pode. Tenho um quarto a mais aqui, irei arrumá-lo e você pode passar a noite lá. Ele sorriu em resposta enquanto ela subia as escadas estreitas de madeira.

27
out
09

– Boa noite, senhoras e senhores. Eu sou o Comandante Silva e hoje… todos nós iremos morrer.

O vôo estava normal. Mas, no fundo, sentia que algo estava errado. Os excessivos olhares entre aeromoças e piloto, o leve descaso com que alguns de nós fomos tratados ao embarcar… – Okay. Isso não é relevante. – Pensei. Tinha uma pequena aerofobia, mas nada que me impedisse de ver o meu amor, a cada fim de semana. O clima lá dentro era o típico, mas, agraciado como sou com a minha capacidade de dedução aguçada, percebi que nem tudo estava de acordo. Novamente, ignorei e me sentei na poltrona cujo número estava gravado em minha passagem. O ursinho que ela tanto almejou estava no bagageiro, lá atrás. Ela. Os meus pensamentos se dirigiam a ela constantemente, num fluxo de informações que só tinha apenas ida. A senhora ao meu lado me lançou um sorriso, como se soubesse exatamente o que se passava em minha mente. De fato, o olhar de um homem apaixonado é facilmente reconhecido em qualquer parte do mundo. Lhe acenei com a cabeça, como em confirmação, e esperei a decolagem. Alguns minutos depois, quando as aeromoças já tinham feito os avisos de costume, o avião começou a andar e finalmente saiu do chão. Não me lembro de nada interessante e incomum até a primeira meia hora de vôo. Mas, assim que iriam se completar 45 minutos de vôo, uma voz ecoou pelo avião, levemente chiada. Era o piloto do vôo. – Boa noite, senhoras e senhores. Sou o Comandante Silva, e hoje… todos nós iremos morrer. – A voz de súbito silenciou. Por um segundo, que pareceu mais um pulsar do coração, um latejar de veias ou algo igualmente breve, ninguém falou. Em seguida, uma balbúrdia de vozes desesperadas e de homens enraivecidos tomou conta do Boing. Eu não sabia o que fazer, mas tudo ao meu redor era caos. Duas idosas desmaiaram, e lembrei-me delas no final. Uma mãe começou a chorar copiosamente. Alguns dos mais fortes tentaram forçar a porta da cabine, mas em vão. Parecíamos que estávamos todos a mercê daquele homem e, se o que ele afirmou fosse realmente verdade, estávamos a disposição da morte. Alguns rezaram. Esses eu ignorei, porque realmente não pensava em mais nada. – Senhores, faltam apenas 10 minutos para a nossa morte. – O comandante falava em tom sádico, como se estivesse se divertindo com isso. Mas, ainda assim, era um tom de voz que não deixava dúvidas quanto ao nosso cruel destino. Passei as mãos na cabeça porque, ao contrário dos outros passageiros, já tinha me convencido inteiramente que não havia mais nada para fazer. – Senhores, rezem por suas almas. Adeus. – Sentava a janela, e por isso pude ver o que se sucedeu. O piloto parecia estar jogando o avião contra uma cidadezinha ali perto. A minha poltrona era uma das últimas, na parte traseira do avião, e por isso, pude ver o que aconteceu. O avião explodiu, mas eu não tinha explodido. Vi corpos caindo, poltronas voando, em seguida perdi a consciência. Acho que não estou mais aqui. Mas, naqueles últimos segundos de vida, tudo me passou a cabeça. As idosas que desmaiaram: senti inveja. Inveja porque não sofreram. Inveja porque só sentiram um pequeno temor, em seguida deixaram de existir. Mas eu pensei realmente nela, e como poderia explicar que nunca mais vou aparecer, todo domingo, na porta de sua casa com um presente, um beijo e o meu amor. O ursinho? Crispou-se em chamas, assim como todo o resto. Ninguém sobreviveu. Ninguém relatou o que realmente aconteceu. E ela ainda chora, toda noite, abraçada a uma foto minha. – Senhores, hoje todos nós iremos morrer. – Uma explosão na escuridão pesada. Um trovão na noite calada. Pessoas que nunca mais iriam retornar para seus lares. Que iam deixar parentes. E ela ainda chora, toda noite, abraçada a uma foto minha.

Créditos ao: cellow




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