Abaixo está o conto Phineas Mackfield até onde ele foi postado. Você pode acompanhá-lo por aqui ou visitando a categoria Phineas Mackfield, de postagem.

Ela era anormal, me atraía como um imã. Eu precisava dela para viver.

Aquela noite estava clara, poucas nuvens rodeavam a lua, crianças eram vistas correndo pelas calçadas sujas de Londres. Tudo estava claro. Phineas estava andando há um longo tempo, ele não sabia ao certo onde estava, mas tudo estava bem, ele só queria esvaziar a cabeça, parar de pensar naquilo. Ele encontroou um parquinho quando dobrou a esquina, e foi ali que ele se sentou, olhando os brinquedos e vestigios deixados pelas crianças há poucas horas atrás. Como ele pode ser tão estúpido, dizer aquelas blasfêmias, difamar a família de sua futura esposa, ele devia ter segurado a língua, mas ao mesmo tempo, ele se sentia certo, não queria se casar com aquela mulher, ele mal a conhecia, sua família que insistia em fazer um grande casamento, seus avós, eram as piores coisas que haviam lhe acontecido. Deixar o país, é isso que vou fazer, eu tenho minha herança, e vou usa-lá. Ninguém vai me impedir– pensou ele. Ele ouviu passos, então olhou para o lado, e viu que uma mulher andava em sua direção.

A mulher se aproximava cada vez mais de Phineas, mas ele só pode realmente identificar quando ela ficou há três metros dele. A luz que a lua emanava era forte, embora metade de seu rosto estivesse escondido por um capuz. Um leve calafrio subiu pela espinha de Phineas, ele então, decidiu agir como um cavalheiro, se levantou e cumprimentou a senhora. Olá senhora. Precisa de ajuda em algo? A mulher continuou olhando-o calada. Com um súbito movimento, as compras que estavam em suas mãos pequenas caíram no chão, ela retirou o capuz e ele pode vê-la com clareza. Seu rosto era branco, mais branco que o normal. Seu cabelo preto combinava perfeitamente com seu rosto. Lábios carnudos em um leve tom rosa se destacavam, e sua beleza era algo incomum. Ela não aparentava ser mais velha que ele, e quando falou, sua voz era melodiosa, como o sopro da brisa nas tardes de primavera. Poderia me ajudar com as compras? Fui ao mercado ao céu abertocomprar farinha e algumas ervas, me empolguei e comprei mais que o necessário, agora não aguento o peso das coisas que comprei. Um sorriso constrangido tomou lugar naquele belo rosto. Phineas se aproximou, pegou as compras que estavam no chão e disse: Mas é claro, onde fica sua casa? A mulher segurou com firmeza as coisas que estavam em sua mão e apontou com um dedo anelar anormalmente pequeno para as ruas que estavam na escuridão devido ao grande número de árvores imensas. Shelgate Road, meu caro. Acho que será melhor se me seguir.

E juntos, lado a lado, caminharam para a escuridão que habitava à sua frente.

Andar com aquela mulher desconhecida lhe dava uma sensação estranha. Não era uma sensação ruim, ao contrário, era boa. Ela andava sem falar, seus passos ecoavam pela rua deserta, concentrada em algo que ele não via. Andaram por cerca de cinco longos minutos, até chegarem a um pequeno pasto. Havia pouca luz, mas ele conseguia enxergar alguns cavalos dormindo. Subitamente, a mulher se virou para ele e disse: Minha casa fica um pouco a frente. Me dê as compras, eu consigo chegar até lá. Ele analisou sua expressão, olhou então para o campo mas não conseguiu localizar casa alguma, ele se voltou para a mulher e disse: Não me incomodo em lhe ajudar senhorita, mostre-me o caminho e lhe deixarei na soleira da casa.

A mulher voltou a andar, Phineas a seguiu, a medida que andavam, ele avistava uma massa escura que crescia e se alargava cada vez mais. Logo, estavam parados em frente a uma casa maltratada, suja, e não muito grande. Ela abriu a porta e acendeu uma luz, rapidamente, ele pode ver uma mesa de madeira e uma lareira, no momento seguinte, ele adentrou a casa com as sacolas, e colocou-as na mesa. Muito obrigado, senhor. Gostaria que lanchesse comigo, se não se importa. A propósito, sou Anne McGraien. Aturdido com o convite e a rápida apresentação, Phineas apenas balançou a cabeça, tentando dizer que aceitava. Rapidamente, ele pois se a falar: Sim, aceito. Depois de um belo sorriso, acrescentou E eu sou Phineas, Phineas Mackfield.

Anne convidou Phineas a se sentar, ele se sentou em uma velha cadeira que havia a um canto. Ela prontamente começou a preparar dois lanches, era incrível a maneira que ela manuseava a faca, como se tivesse trabalhado longos anos em um pub ou lugar do gênero. Era rápida e estava pouco concentrada, ele arrastou sua cadeira alguns centímetros para a esquerda, se a faca escapasse de suas delicadas mãos, acertaria sem dúvida alguma, uma parte do corpo do jovem. Desculpe a curiosidade, mas o que o senhor estava fazendo à essa hora naquele parque? Phineas olhou-a com interesse e então responde: Não precisa se desculpar, é natural o ser humano ter curiosidade. Dito isso, ela sorriu e encorajou-o a responder. Eu precisava esvaziar minha cabeça um pouco, minha família… Só faz bobagens, e isso me irrita muito.

Ele desviou os olhos daquela mulher, de alguma maneira a presença dela o fazia se sentir bem, e fora a primeira vez que contou a alguém que sua família o irritava tanto. Venha sentar-se a mesa comigo, vamos comer. Ela já estava sentada e dois pratos com um grande sanduíche em cada um estavam sob a mesa. Devagar e envergonhado, ele se sentou defronte a mulher e pegou seu sanduíche. Não havia percebido que estava morto de fome, a primeira mordida lhe deu um prazer estranho, ele nunca sentiu isso, o que devia significar que era a primeira vez que sentia fome. Ele se lembrou então como era a vida com a família Mackfield, fartura, luxuria e nenhuma privacidade. A família iria para o inferno, sem ter ao menos uma chance de ir ao purgatório se purificar e tentar ir para o paraíso. Mudarei a minha vida, tomarei a minha herança, meus pais sentirão orgulho de mim, não importa onde estejam.

Dizem que o tempo cura tudo. Que a memória humana é fraca. Eu não via daquela maneira, memórias são fortes, foram vividas. Eu já me sentia atraído por aquela mulher estranha que se chamava Anne. Eu tinha de ficar com ela!

Depois de ter devorado em poucos minutos dois sanduiches, ele já começava a se sentir satisfeito. Embora é claro, tivesse espaço para mais um. Ele bebericou sua taça de vinho, olhou para Anne, que ainda estava na metade de seu segundo lanche. Eles não haviam se falado desde que começaram a comer. Então, você mora sozinha? Ela pareceu se assustar com a repentina quebra no silêncio. A voz de Phineas, que era grossa, parecia muito mais alta que o normal naquele silêncio todo. É, moro. Mas eu gosto, é tão calmo, ao tenho preocupações. Vendo algumas verduras para os vizinhos e com isso consigo fazer algumas compras quando é necessário, mas não é ruim comer o que planto. Que vida boa era aquela. Phineas sentiu inveja daquela mulher pobre. E isso é de se surpreender, afinal, que pessoa em sã consciência sentia inveja de um pobre?E você? O tom dela parecia muito interessado, ela o olhava com muita atenção. Não. Moro com meus avós. Meus pais morreram há alguns anos atrás, eu estava entrando na adolescência, mas me lembro muito bem. Moro com eles desde então, e odeio –ele disse isso com muita entonação– viver com eles. Ele ficou em silêncio, e pegou mais um sanduiche. Anne não insistiu na conversa, se levantou e começou a retirar e guarda as coisas que havia usado para preparar o pequeno jantar. Phineas sabia que estava na hora de partir, mas era quase impossível sair de perto de Anne. Ele sabia que ali era muito melhor que sua casa, ela era uma companheira agradável… Posso-dormir-aqui-essa-noite? A frase saiu muito rápida, mas ele tinha certeza que ela tinha entendido. Ela sorriu e assentiu: Claro que pode. Tenho um quarto a mais aqui, irei arrumá-lo e você pode passar a noite lá. Ele sorriu em resposta enquanto ela subia as escadas estreitas de madeira.

Ele se sentia estranho. Com força, embora o quarto estivesse escuro, ele enxergava com muita clareza – algo que não devia acontecer –, ele olhou para uma figura sentada em uma poltrona à sua frente. Era Anne, ela estava diferente também, pálida, embora mais bonita, os olhos castanhos se destacavam. Ele tentou se levantar, e quando fez isso, uma dor atordoante percorreu por todo seu corpo. Em pouco mais de dois segundos, Anne estava ao seu lado, enfiando o pulso na sua boca. Beba Phineas, beba! Phineas obedeceu, qualquer coisa que ajudasse a dor a passar seria bem vinda. O líquido era viscoso e quente, fluía para sua boca suavemente e aquilo lhe deixava mais forte aos poucos, ele foi se sentindo confortável e a dor estava passando. A carne do pulso de Anne começou a se regenerar e então ele percebeu que o líquido que ele bebera, que agora escorria pelos seus lábios, era sangue.

Ele se afastou de Anne e se surpreendeu ao ver que estava em pé – reflexos rápidos, pensou ele –. O que você fez comigo, Anne? O tom assustado era visível. Anne sussurrou delicadamente: Agora você é forte e livre. Caçador e astuto. Rápido e perceptível. Você é um vampiro Phineas!


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